PALAVRAS SÃO MUITO MAIS....


PALAVRAS SÃO MUITO MAIS… 

 1 Dalva de Oliveira Lima Braga

2 Lucineide Barros Medeiros 

3 Maria do Socorro da Costa Machado


Somos três companheiras de jornadas acadêmicas e, no universo das palavras ditas, procuramos nos (re)encontrar, não necessariamente com as que escrevemos, mas com as que nos permitem pensar, em um instante, sobre as nossas relações com a atividade educativa. Cada uma dirá sobre as suas escolhas, sem um compromisso de síntese, mas motivadas pelo exercício da expressão.

  As palavras interação e acessibilidade: a primeira relacionada à pergunta sobre o que é necessário para  estabelecer uma relação entre professor(a) e aluno(a) no ambiente digital e a segunda para falar sobre tecnologias assistivas. Considero que a relação em qualquer ambiente educativo requer compartilhamento interativo, proporcionando trânsitos e trocas não apenas de conhecimentos e conteúdos programáticos, mas também de emoções, sentimentos, desejos. Isto tem a ver com a acessibilidade, que é mais do que o ato de acessar, pois considera também as condições objetivas e subjetivas para que o acesso se realize com tudo o que ele pode proporcionar. 

A tolerância, segundo Morin(apud SILVA, 2010) se colocou como um dos critérios ético fundamental para a interatividade e acessibilidade, no processo da relação professor e aluno, e dos sujeitos escolares como um todo. No entanto, a terminologia “tolerância” depõe, 2020, contra os sentidos que são colocados para a mesma  numa sociedade democrática, visto que acolher  o outro como sujeito de direitos, como o de expressar seu pensamento, por exemplo, não nos sugere “tolerar o outro” mas respeitar sua existência humana da mesma forma que devamos respeitar a nossa. O respeito ao outro não significa concordar com tudo que parta dele, porém acolher a diversidade, as diferenças que ele representa enquanto gênero, etnia, classe, religião, orientação sexual, escolaridade (ou não), saberes inúmeros, especificidades físicas, mentais, intelectuais.

  Essa diversidade expressa a complexidade das diferenças que nos constitui humanos: se somos diferentes enquanto culturas, sociedades e os mais variados grupos que formamos, somos igualmente diferentes enquanto indivíduos. Portanto, a acessibilidade precisa se configurar na inclusão de todos os indivíduos, conforme suas diferenças. A inclusão da pessoa com deficiência, suscitou a produção de tecnologias assistivas, para proporcionar à pessoa com deficiência as condições necessárias para desenvolverem sua autonomia, conforme suas demandas específicas.  

Para tanto, a interação, a acessibilidade e respeitar o outro sugere a utilização de metodologias, ou seja buscar a utilização de métodos adequados para se chegar ao fim pretendido que é a aprendizagem das pessoas com deficiência, assim como devemos nos preocupar com as técnicas e recursos próprios para realizar a inclusão de fato dos nossos alunos numa educação que garanta sua ascensão social, e assim, faça uso de todos os bens disponíveis em nossa sociedade.

REFERÊNCIA:

SILVA, M. Sala de aula interativa. Educação, comunicação, mídia clássica, internet, tecnologias digitais, arte, mercado, sociedade, cidadania. 5 ed. São Paulo: Edições Loyola, 2010.

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 1 (dalvaoliveira@cceca.uespi.br)

2 (lucineidebarros@cceca.uespi.br)

3 (mariasocorro@cceca.uespi.br)

 


Comentários

  1. Não tem como não repetir o que disse, uma vez que se trata do mesmo texto, que continua a me trazer as mesmas emoções, assim: "Palavras são muito mais..." E, com este título sugestivo Braga, Medeiros e Machado (2020), nos convidam a fazer um percurso que inicia no apresentar como três mulheres que já se conhecem, sentam-se para um texto colaborativo. Em seguida, buscam pontuar as palavras que mais se destacaram e que possuem algo a mais como interação, acessibilidade, respeitar, inclusão. Quatro palavras que são mais, porque trazem no seu bojo a reflexão sobre a relação docente e discente, as relações entre as pessoas na sua totalidade; trazem também o desejo e a responsabilidade do docente em "[...] buscar a utilização de métodos adequados para se chegar ao fim pretendido que é a aprendizagem das pessoas com deficiência, assim como devemos nos preocupar com as técnicas e recursos próprios para realizar a inclusão de fato dos nossos alunos numa educação que garanta sua ascensão social, e assim, faça uso de todos os bens disponíveis em nossa sociedade". Nossa!! Parabéns pela reflexão e pela maneira suave e forte com que trataram o tema. Realmente, lembrou-me um texto de um livro intitulado Profecias de um ex-ateu que diz: "Palavras não são simples palavras, são sementes que frutificam. Não são letras enfileiradas. São colírios que santificam, o Corpo, a Mente. É algo que liberta e borbulha interiormente. Palavras!!" Parabéns pelo trabalho!

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  2. Esse texto é o resultado de um trabalho colaborativo, como exercício de um curso que trabalha fundamentos sociológicos e tecnologias voltadas para a educação!
    A experiência está sendo muito salutar, levando-nos à ricas reflexões sobre a prática docente e tecnologias digitais no mundo contemporâneo!
    Como observa Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas, "Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende"!
    Então, muitas trocas de conhecimentos ainda à caminho!!!





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  3. A dimensão socioemocional é fundamental para o processo de ensino aprendizagem porque é inerente à própria condição humana. Aprendemos mais e melhor quando damos sentidos positivos, construídos a partir da experiência de interação humana ao ato de aprender.

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